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Qual é o valor do consumo colaborativo?

Por Hannah Piercy, Design Mind

Rachel Botsman, Photography by James Duncan Davidson, courtesy of TED

Rachel Botsman, Photography by James Duncan Davidson, courtesy of TED

Rachel Botsman é uma antiga defensora da “revolução colaborativa” – como alugar, trocar, e outras formas tradicionais de compartilhamento ficaram conhecidas por meio de novas tecnologias on-line e móvel e de redes sociais. Ela é co-fundadora  do Colaborative Lab, uma consultoria de inovação centrada no consumo compartilhado e co-autora do livro O que é meu é seu. Botsman ajudou a definir o movimento do consumo colaborativo e seu impacto nos negócios, no serviço público, e na vida cotidiana. Ela compartilhou seus pensamentos e insights com Hannah Piercey via Skype da Austrália. 

HP: Como o consumo colaborativo altera o nosso senso de propriedade?

RB: Consumo colaborativo está ligado à digitalização e à desmaterialização de mercadorias. Quando você visitava alguém, via muitas manifestações físicas de suas vidas, como livros, cds, e fotografias. Agora, um monte dessas coisas tornaram-se serviços digitais que são facilmente compartilhados. Quando as coisas se tornam digitais, a posse torna-se realmente confusa. Vivemos em um conflito entre pagar para acessar o benefício do produto  e a necessidade de possuí-la completamente.

HP: Quais são os motivos que estimulam as pessoas a consumirem de forma colaborativa?

RB: Há diferentes motivações e o contexto é realmente importante. Em alguns casos, as pessoas estão realmente motivadas por interesse próprio, o que é bom. Em outras ocasiões, o custo, a conveniência, o acesso a um espaço único, ou o auxílio para executar alguma tarefa são os estímulos. As pessoas começam a usar o consumo colaborativo, porque o vêem menos como uma forma de economizar ou ganhar dinheiro, e mais por como uma forma de ajudá-los a fazer parte de uma comunidade.

HP: A confiança é claramente um elemento fundamental no sistema colaborativo, especialmente à medida que mais redes PtoP surgirem, mas também é um conceito complexo de cultivar. Como a tecnologia pode promover a confiança entre estranhos? É possível fazer isso exclusivamente on-line?

RB: Uma das principais razões para que o consumo colaborativo esteja decolando agora é porque a tecnologia permite que confiança entre estranhos em novas formas. As pessoas realmente constroem a confiança online para realizarem trocas offline. Você passa por diversas etapas e então quando realmente se encontrar cara-a-cara com o outro – e eu tive essa experiência – você sente como se já os conhecesse. Quando eles chegam na sua casa você não precisa sentar e interrogá-los antes de deixar as chaves. Você já fez isso antes mesmo deles  chegarem. A barreira que impede a confiança diminui quando as pessoas começam a utilizar esses serviços. Uma vez que descobrem que a maioria das pessoas é confiável ​​e que a idéia funciona, o seu nível de confiança aumenta, o que viabiliza as transações futuras.

HP: Como você vê a economia colaborativa evoluindo ao longo dos próximos anos?

RB: As grandes marcas irão se envolver. Quando o consumo colaborativo começou até a quatro ou cinco anos atrás, muitas grandes empresas acharam que era uma coisa de nicho. Alguns viram como ele era uma ameaça aos seus negócios. Agora, grandes marcas, de bancos e  varejo até brinquedos e  fabricantes de roupas, percebem que este espaço é uma poderosa fonte de inovação. Eu acho que precisamos das grandes marcas a bordo para ajudar os comportamentos colaborativos a se multiplicarem, para permitir que os serviços ganhem escala.

Novas startups estão surgindo em espaços que não podemos sequer imaginar. O Dog Vacay começou como um site de acompanhamento de pets, mas agora os fundadores perceberam que podem perturbar o mercado de canis, porque muito dos donos de animais preferem deixar seus animais com outros donos em vez de canis genéricos. Isso pode soar ridículo, mas esse é um mercado enorme.

HP: Qual é o potencial de consumo colaborativo em áreas que não são centros de elevada densidade populacional?

RB: É uma boa pergunta. A beleza de muitos sistemas PtoP é que muitas vezes você vê uma comunidade em que o objetivo não é necessariamente o lucro. Mesmo com PtoP de compartilhamento de carro, muitas vezes você vê pequenas comunidades que surgem e que funcionam bem. Os fundadores do WhipCar se surpreenderam com quantos carros estão sendo compartilhados em regiões muito remotas. Se você olhar para o mapa, à margem da Escócia há carros que estão sendo compartilhados. Nesses lugares você está sempre em uma cidade pequena e você precisa de um carro porque você está viajando longas distâncias, mas você não precisa de dois carros por família, então eles estão compartilhando o segundo carro. Muitas vezes você vê os bancos e as redes de recados aparecendo em comunidades menores e eles funcionam porque já existe infraestrutura e confiança, as pessoas já se conhecem.

Fonte: Design Mind

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