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A crise, a inteligência e o consumo

Consumo-Colaborativo-4O Brasil passa por um boom no consumo, semelhante ao que ocorreu nos Estados Unidos há algumas décadas atrás. Esse aumento é facilmente verificado e segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), acompanha o crescimento do PIB, que no ano passado foi de 7%. A política econômica brasileira dos últimos anos permitiu o aumento de renda da população das classes C, D e E, que hoje tem internet no celular, cartão de crédito e vários crediários para dar conta. Esses fatores, associados à propaganda em massa produzida especialmente para este público faz com que o pensamento coletivo seja um só: chegou a minha vez de consumir!

Porém, quando falamos em consumo, não nos referimos apenas a uma transação comercial e a satisfação pela posse do tão sonhado objeto. Também estamos falando em uso de recursos naturais e matérias primas, geração de resíduos, recursos financeiros para saldar a compra e a necessidade de espaço em casa, para armazená-la após seu uso. 

De olho nessa questão, e sentindo os efeitos do consumo exagerado, que perdurou durante décadas entre a sua população, os americanos começaram a pensar em modelos de consumo que não os privasse de utilizar os produtos, mas que também fosse mais racional, do ponto de vista econômico e ambiental. A crise deflagrada em 2008 contribuiu para esse despertar, quando muitos começaram a questionar se diante das dificuldades que enfrentavam, a posse de tantos produtos – muitas vezes inúteis – era mesmo fundamental.

Surgiu ai a compreensão de que para ter acesso aos serviços prestados por um objeto, a sua compra não é necessária. A posse temporária resolve a questão, especialmente quando o produto será pouco usado. Esse modelo já foi muito usado aqui no Brasil desde a década de 1980, quando as vídeo-locadoras pipocaram em todas as esquinas de qualquer cidade, independente de seu porte.

O que os americanos fizeram foi extrapolar o modelo de vídeo-locadoras para outros produtos, agora transformados em serviços. Entre eles destacam-se o aluguel de carros, bicicletas, quartos em casa, produtos para bebês e uma infinidade de produtos, até árvores de Natal. O conceito de ter o acesso ao invés da posse ganhou força com a popularização da internet e as facilidades proporcionadas pelas redes sociais. A idéia rapidamente chegou à Europa e agora ganha adeptos aqui no Brasil.

Vários portais nacionais já oferecem a oportunidade de alugar, emprestar ou mesmo trocar objetos que estejam sem uso e obter outros que atendem às novas necessidades, gastando pouco. Entre eles destacam-se o DescolaAi.com, que possibilita o aluguel e troca de produtos, o Zazcar, que oferece o serviço de compartilhamento de veículos, o Clube do Brinquedo, que aluga brinquedos e o Fica lá em Casa, que faz a ligação entre hóspedes à procura de um quarto e casas com cômodos disponíveis.

1394626Esse amplo modelo de consumo, chamado colaborativo não se limita a objetos físicos. Muitos sites se especializaram em realizar permutas intangíveis, como o Caronetas, que encontra pessoas com destinos parecidos e viabiliza caronas entre elas e o We do Logos, que prevê a criação de logomarcas a preços reduzidos, que possibilita que o empresário gaste pouco para desenvolver sua logo e oferece uma oportunidade a recém formados entrarem no mercado de trabalho. Outra iniciativa semelhante é o It´s Noon, portal que conecta pessoas e empresas para trabalharem conhecimentos e criatividade em rede.

A chegada ao Brasil de todas essas idéias colaborativas possibilita que os brasileiros façam parte de um grupo de pessoas que estão moldando o futuro de maneira mais inteligente e racional, por meio do desenvolvimento de idéias coletivas, do compartilhamento de objetos e da troca de serviços. Já temos as ferramentas. Fazer parte da mudança só depende de cada um de nós.

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