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PROTESTOS NO BRASIL: As Manifestações Colaborativas

Estive pesquisando sobre como os movimentos que surgiram aqui no Brasil no último mês foram vistos lá fora e encontrei artigos interessantes. Este que segue apresenta as manifestações do ponto de vista da colaboração e do papel das redes sociais em sua organização (eba!) MAS enxerga os projetos colaborativos do Brasil como iniciativas engessadas e sem futuro…. é assim mesmo que estamos nos organizando? Ou estamos trabalhando como “mineiros” pelas beiradas e os gringos é que estão por fora do que está acontecendo de verdade por aqui?

Leiam o artigo e compartilhem com a gente sobre as suas conclusões!

Alguma coisa mudou no Brasil e ainda estamos tentando descobrir o que realmente aconteceu. De repente, todo mundo está nas ruas, protestando contra os problemas que são tão velhos que já fazem parte da cultura brasileira. É muito difícil apontar o que levou a toda essa comoção incrível, mas um aspecto que realmente se destaca é o papel das redes sociais jogados no planejamento e organização de todos esses movimentos. O primeiro protesto que provavelmente desencadeou todas as outras revoltas no Brasil aconteceu na cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, no extremo sul do país.

O motivo foi uma lei que elevou a passagem de ônibus em R$0,20, o que levou muitas pessoas a ficarem indignadas. Então, alguns deles criaram um grupo no Facebook e começaram a discutir sobre o assunto e como eles poderiam fazer algo sobre isso. O grupo decidiu então organizar um protesto, mas, obviamente, eles não tinham dinheiro para contratar mais pessoas para a causa. Eles começaram a compartilhar fotos e informações sobre como era injusta a forma como as tarifas aumentaram e todo o sistema foi tratado em Porto Alegre. Ao fazer essa campanha usando as mídias sociais foram capazes de trazer cerca de 10.000 pessoas para a primeira manifestação! No entanto, como já vimos em outras iniciativas de colaboração, o efeito positivo não termina aí e a mensagem continuou a se espalhar por todo o Brasil, fazendo com que a questão fosse ouvida por pessoas do país. O resultado é o que foi mostrado em todas as estações de TV em todo o mundo recentemente.

Essas manifestações são tão colaborativas em sua essência devido à forma como surgiram que a mídia tradicional refere-se ao movimento, como o primeiro movimento sem líder, sendo apenas pessoas exigindo um país melhor.

Esta imagem mostra o envolvimento dos brasileiros em redes sociais mapeadas pela Brandviewer (ferramenta de análise de hashtag). Em vermelho vemos as regiões com o maior número de hashtags postadas sobre os movimentos. As duas hashtags mais bem sucedidos foram: # ogiganteacordou e # vemprarua.

Além das manifestações, também estamos vendo outros tipos de colaboração, através de plataformas criadas especificamente para os protestos como:

http://protestosbr.marcogomes.com/ – Este site é uma ferramenta de mapa de onde os manifestantes podem denunciar todo o tipo de informação relevante sobre os movimentos: a hostilidade da polícia, os locais seguros para abrigo, spots wi-fi, a violência civil, etc. Até agora o site registra vários relatórios e conhecimentos valiosos sobre as manifestações que fazem toda a coisa mais segura para todos.

The Guardian – Brasil Protests – Este é um site colaborativo criado pelo jornal britânico The Guardian, onde eles pedem as pessoas do Brasil para enviar-lhes fotos e relatórios sobre as manifestações, criando uma boa galeria de fotos e um centro de informações completamente colaborativa.

Ironicamente, pode-se dizer que muitos dos problemas que os brasileiros estão indignados poderiam ser resolvidos pela mesma abordagem colaborativa usado para iniciar todo este movimento. Coisas como o compartilhamento de carro e as plataformas de compartilhamento poderiam ajudar a resolver um dos problemas mais citados nas manifestações: a mobilidade urbana. Infelizmente, plataformas como essas não seriam aprovados pelo governo local. A maioria dos participantes dos pedem melhores serviços públicos por parte do Estado. A idéia de plataformas auto-organizados de colaboração é muito desconhecida para os brasileiros. Isso afeta diretamente a forma como eles se relacionam com os serviços públicos, já que a única visão que eles têm é que tais serviços devem ser prestados pelo governo.

O Brasil é a 6 ª maior economia do mundo, mas também um dos mais regulados, tornando-se difícil para as soluções de colaboração se espalharem. Esta regulamentação pesada desencoraja as empresas de consumo colaborativo a investir na tentativa de tornar suas soluções conhecidas para o público local. Para termos uma idéia mais clara sobre isso, o Banco Mundial divulgou um estudo este ano com o ranking dos países, com base na facilidade de fazer negócios e dos  185 países no estudo, o Brasil ficou 130. Por exemplo, é realmente mais fácil fazer negócios na Bósnia do que é no Brasil.

A Economia Solidária está tomando o mundo e vem sendo muito bem sucedida na construção da confiança entre as pessoas. Os desafios deste tipo de economia estão sendo atendidos com criatividade e tecnologia de alocação de recursos de forma muito mais eficiente. Mesmo que seja impossível parar algo tão econômica e socialmente superior, maus políticas e regulamentações governamentais definitivamente podem abrandar o ritmo dessa evolução. Estamos vendo uma grande mudança no Brasil e, apesar do resultado ser um pouco imprevisível, uma coisa é certa: o país nunca mais será o mesmo. Com isso dito, nunca houve um melhor momento para as idéias desta nova economia chegarem aos ouvidos dos brasileiros do que agora, finalmente, a desempenhar um papel principal na história do país.

por Giovanni Nervo

Fonte: Collaborative Consuption

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