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Resenha: Fingindo

Fingindo_Capa_OK.inddApaixonante

Alegre e comovente

Sexy e romântico

Corajoso e covarde

Verdadeiro e encenado

Essas são apenas algumas expressões que podem definir a história do livro Fingindo, da série Losing It, escrito pela Cora Carmack, recém lançado pela nossa parceira Editora Novo Conceito.

A história começa quando a colorida e tatuada Mackenzie Miller – ou melhor, Max – recebe uma visita surpresa de seus pais, que pretendem conhecer o seu namorado, o baterista descabelado (e desmiolado) Mace. A questão é que eles não conhecem a versão colorida e tatuada da filha, e jamais aceitariam o genro. Assim que recebe a notícia da visita – “estaremos ai em 5 minutos querida” – Max, no meio de um café, olha para o lado e encontra Cade Winston, um aluno de teatro arrumadinho, bem ao estilo “queridinho da sogra”.

Vestindo rapidamente um casaco e cachecol (para esconder as tatuagens), Max convence Cade a se passar por seu namorado “apenas por 24 horas, até eles irem embora”. Nesse ponto, mais ou menos até o terceiro capítulo, você imagina que o livro é mais um, que a história vai se desenrolar de um jeito que os dois serão obrigados a passar mais tempo juntos, e irão formar um casal no final da história.

Mas é ai que você se engana. O texto oscila entre romantismo, erotismo, comédia e drama. Tudo junto e misturado, bem ao estilo de nossas vidas reais (que nunca seguem um estilo só). As situações juntam e separam o casal, e te colocam, leitor, no meio da trama, de uma maneira que você torce por um personagem, e logo em seguida pelo outro…

Um ponto muito forte do livro, no meu ponto de vista, é o texto em primeira pessoa, mas em cada capítulo narrado por um dos dois personagens centrais. No colégio, aprendemos que Machado de Assis criou personagens esféricos – que são bonzinhos e maldosos na mesma medida em que essas características aparecem na personalidade de qualquer ser humano. Nesta linha de pensamento, eu chamo essa narrativa de compartilhada, em que a cada capítulo, acompanhamos o ponto de vista de um dos personagens. Isso me encanta. O primeiro livro que li com essa pegada foi Sal, de Letícia Wierzchowski, e essa forma de contar histórias me fascinou.

Cora CarmackAlém de tudo isso, Fingindo traz mais um elemento que considero fundamental em uma boa história, e que por isso certamente será um daqueles livros que eu voltarei a ler de tempos em tempos: uma lição… não é bem uma fábula com “moral da história”… mas sim um exemplo de como atos e situações podem mudar, e moldar toda uma vida, e de como é difícil deixar isso no passado e seguir em frente, rumo a uma vida diferente. Todos nós passamos por algo assim, e geralmente arrastamos o peso conosco (mesmo sem perceber). Essa é a parte mais importante do livro para mim, mostrar mudar, ou não, é uma escolha, uma opção, que só pode ser tomada por quem está no centro da questão, e que deixar o passado no passado é possível, mas exige coragem e desprendimento.

Mais um livro de cabeceira para o meu criado mudo!

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One thought on “Resenha: Fingindo

  1. Pingback: Primeiras impressões do livro “Dez coisas que aprendi sobre o amor” | Share for the Future

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