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Desapego material e a arte de jogar fora coisas velhas

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Tenho um amigo que costuma guardar de tudo. Ele tem sempre um objeto ou um pedaço de alguma coisa que pode ser útil no futuro. Uma vez ele catou um plástico meio sujo de pão e guardou, para meu espanto. Nós estávamos viajando juntos e eu não me contive em desabafar: “cara, pra que você tá guardando isso? Joga essa porra fora!”. Ele, com olhar malandro de quem sabe o que está fazendo, só sorriu.

Durante a viagem, precisávamos guardar um rango em algum lugar e simplesmente não tínhamos nenhum recipiente que pudesse ser usado. Nenhuma opção além de jogar a comida fora ou guardar solta dentro da mochila. Eis que esse meu amigo sorrateiramente tira, não sei da onde, um pedaço de isopor usado, aquele saco do pão e sorri: “vamos guardar aqui“. A comida ficou bem armazenada. A solução do malandro foi perfeita.

Se você é como a maioria das pessoas, também costuma guardar coisas pra usar “um dia”. Provavelmente não guarda pedaços de plástico e de isopor, mas deve ter com você uma porrada de itens de equivalente importância. Acontece que, ao contrário desse meu amigo – que é meio MacGyver – você e eu não usamos de fato as coisas. Guardamos para “um dia”, que nunca chega.

Seja uma decoração antiga, um CD que você ganhou de presente ou coleções bizarras que você tinha no passado, tudo vira uma “coisa”, desprovida de características, já que não é usada e, portanto, não é nada. É só uma coisa, só um ocupador de espaço.

Decidi que pra mim era hora de abrir espaço. Me livrar do desnecessário.

Livrar-Se De Coisas Velhas

Tomei essa decisão porque pretendo me mudar em breve.

Pra não me incomodar em ficar carregando caixas, ou deixando muitos pertences na casa dos outros, decidi que era hora de dar uma revisada em todas as minhas coisas e abrir o tribunal das coisas velhas. Nesse tribunal, eu sou o juíz e decido o que fica e o que se vai.

Quando você decide doar roupas geralmente é porque já sabe que tem muitas peças inúteis no armário. Com as minhas bugigangas foi assim, eu já sabia. Na verdade, tinha umas 3 caixas de coisas que eu mal havia tocado desde que tinha me mudado para a minha casa atual, há quase 1 ano. Coisas que mal foram tocadas por um ano inteiro não parecem muito úteis, né?

Decidi que, tirando roupas, tudo que eu tivesse pra guardar, ou deixar pra trás em caso de uma mudança pra fora do país, deveria caber em uma caixa média. Nem aquelas gigantes de mudança, nem uma caixa de sapato. Uma caixa média, cheia até a boca que fosse, mas só isso. Em caso de viajar pra fora, só teria uma mísera caixinha pra deixar estocada na casa de alguém.

O que for útil e necessário estará comigo, o que não for vai pro lixo ou pra essa caixa.

A era das bugigangas acabou.

Por que jogar coisas fora?

Livrar-se de coisas que perderam a sua utilidade tem uma porção de benefícios.


Ocupa menos espaço físico

Aqui em casa, meu quarto não tem armário e os espaços pra guardar qualquer coisa são limitados. Eu tinha três caixas médias ocupando um espaço desnecessário na minha modesta habitação. Se tirasse essas coisas do meu quarto, simplesmente tornaria o cômodo maior.

Não tem mistério: coisas ocupam espaço. No seu armário, nas suas gavetas, embaixo da cama, na garagem ou naquele depósito onde todo mundo coloca suas tralhas: sempre há um espacinho a mais que pode ser aberto se você se desapegar do que não tem mais utilidade. Seu guarda-roupas, seu quarto ou até a sua casa podem ficar maiores.

Ocupa menos espaço mental

Coisas preocupam. Elas precisam ser movidas de um lugar para outro. Coisas pegam pó e precisam ser limpas. Coisas apodrecem, estragam, se perdem e precisam ser conservadas. Coisas ocupam espaço que poderia ser seu. Quanto menos coisas, menos preocupações desse tipo na sua vida.

Dá menos trabalho

De novo: coisas precisam ser limpas, levadas embora em caso de mudança, transportadas e tal. Simplesmente dão trabalho. Compara o esforço que você teria levando um caminhão de mudanças cheio embora ou uma malinha pequena. São exemplos extremos, claro, mas ter menos coisas dá menos trabalho.

Pode ser dinheiro parado

A maioria das suas tranqueiras não deve ter valor nenhum, mas algumas tem. Se uma tranqueira tem valor, mas não é usada nunca, você está escolhendo deixar o seu dinheiro parado. Escolhendo esquecer que esse dinheiro existe. Faça um favor para você mesmo: venda o que tem valor. Essas coisas que você não usa, quando vendidas, trazem um orçamentinho extra pro seu bolso que pode ajudar a financiar outras coisas. No meu caso, quero um tripézinho, um tripézão, um mouse sem fio e mais uma coisa ou duas. Espero poder comprar tudo isso só me aproveitando do valor que as minhas tranqueiras tem.

Como fazer

Se você já se convenceu que tá na hora de fazer aquela faxina caprichada nos seus pertences, chegou a hora de….. procrastinar!?

Não deveria ser, mas é o que a maioria de nós faz. Sabemos que precisamos dar um destino para cada coisa, seja jogar fora, doar, vender ou reorganizar. E isso dá trabalho! Não só trabalho físico, mas trabalho mental. Ou vai dizer que não é difícil PRA CARALHO admitir que uma coisa que você gosta, mas não usa nunca, precisa ir embora? “Um dia eu vou usar”, a sua consciência te diz.

Bom, é foda mesmo. Eu sei. Mas pra isso existem algumas perguntas básicas que podem ajudar você a decidir, item por item, o que vai e o que fica.

Obs: o “livre-se” que falo abaixo significa jogar fora, vender ou doar. Nada deve escapar de uma destas três alternativas.

1. Você sabe o que é?

Sim! Pule para a pergunta 2.
Não. Livre-se.

Se você sequer sabe o que é a coisa na sua frente, pode se livrar dela sem medo. A única exceção é se a coisa parecer ter valor, tipo um objeto bizarro de prata ou algo assim.

2. Funciona?

Sim! 
Pule para a pergunta 5.
Não. Se for consertado, tem valor monetário?
Sim! Venda.
Não. Livre-se.

3. Tem valor sentimental?

Pergunta complicada. A maioria das pessoas vai confundir valor sentimental com nostalgia. Quase tudo vai trazer lembranças do passado, muitas vezes boas, mas nem tudo tem real valor sentimental. Uma coleção de tazos que você montou quando tinha 10 anos vai trazer ótimas memórias, mas é bem diferente de uma lembrancinha que aquele parente falecido deu pra você, ou alguma coisa que você costumava brincar/ouvir/assistir com aquela pessoa especial com quem você perdeu contato. Tente ser frio, duro com você mesmo, e pensar assim:

Traz  uma nostalgia gostosa? Tire fotos e livre-se.
Tem valor sentimental real? Se não ocupa muito espaço, guarde. Se ocupa, tire uma “amostra” ou tire fotos e depois livre-se.

4. Ocupa muito espaço?

Não. Pule para a pergunta 5.
Sim! Dá pra tirar uma “amostra” da coisa?
Sim! Tire uma amostra, livre-se do resto.
Não. Livre-se.

5. É útil?

Essa é mais uma pergunta complicada. Você vai olhar para a maioria das coisas, pensar que pode ser útil “um dia” e hesitar em jogar fora. Lembre-se que há uma diferença abissal entre “é útil” e “pode ser útil.

Aquele meu amigo, por exemplo, guarda uma porrada de coisas que podem ser úteis. Ele parece sempre lembrar das tranqueiras que guarda e as usa de fato no futuro, mas eu e você provavelmente nunca vamos usar.

Por isso, tente seguir uma regra mais rígida, ao invés de fazer análises subjetivas. Considere adotar esse pensamento:

Usa todo dia, toda semana ou todo mês: Guarde.
Usa uma vez por ano ou até menos do que isso: Livre-se.

6. Das coisas que caíram no “livre-se”

Tem valor monetário e pode ter utilidade real para outra pessoa? Venda.
Não vale quase nada e pode ter utilidade real para outra pessoa? Doe.
Não vale nada e dificilmente será útil para alguém: Jogue no lixo.

 

Caixa misteriosa: desafio de 1 ano

Se você ainda tiver dificuldades para se desfazer de algumas tralhas, a solução da caixa misteriosa pode ajudar. Vi essa ideia na internet. Nunca tentei, mas vê se não parece brilhante:

1. Não tem certeza se deve se livrar de algo? Ponha esse algo em uma caixa. Vai enchendo a caixa com essas coisas que te deixam em cima do muro.

2. Escreva na caixa a data de daqui um ano exatamente.

3. NÃO faça uma lista do que tem dentro da caixa.

4. Se durante o período de 1 ano você abrir a caixa pra pegar algo que precisou, guarde esse algo.

5. Se você não tocar na caixa durante 1 ano, jogue ela toda fora.

6. NÃO ABRA A CAIXA, ou você vai fraquejar e ficará tentado a guardar algumas dessas coisas inúteis.

Vamos combinar: se você não usar alguma coisa durante 1 ano inteiro, há 99,9% de chances que você nunca vai usar. Livre-se.

Tipos de coisas velhas

Um bumerangue, um chaveiro estiloso, um jogo de roleta. Tem uma porrada de coisas que eu não sei como categorizar, ou onde guardar. Mas a maioria faz parte de certos grupos de objetos que certamente entrarão no tribunal das coisas velhas para o seus próprios julgamentos finais.

Eletrônicos e cabos

Fazendo minha faxina, descobri uma porrada de eletrônicos, principalmente cabos de todos os tipos, que eu nem sabia que existia. No meio deles tinha um cabo HDMI novinho, que tem valor e obviamente não vou jogar fora. Mas o resto eram roteadores velhos, cabos de rede sujos, milhares de cabos USB repetidos e tal. Mesmo que funcionem, nunca vou usar. Se você acha que algo tem valor, venda. Se não tem, jogue fora. Aqui em Floripa tem alguns lugares que fazem reciclagem de lixo eletrônico, talvez tenha algo assim na sua cidade também. Lembre-se que pilhas e baterias devem ir pra um lixo especial (alguns supermercados ou shoppings tem pontos de coleta), enquanto que placas eletrônicas, HDs, celulares e computadores podem ter seus componentes reutilizados.

Papelada

Uma vez eu e meus irmãos chutamos o pau da barraca e começamos a revirar a casa do meu pai nessa tentativa de jogar coisas fora, de abrir espaço. Pra nossa surpresa, o que mais tinha eram papéis. Uma infinidade. Documentos de todos os tipos, impostos de renda de 20 anos atrás e por aí vai.

A maioria dos papéis, principalmente os que tem alguma ligação com a sua universidade, com o governo ou algo parecido, parecem importantes, mas não são. Veja o que realmente pode ser utilizado e o que você está guardando só com medo de que alguma coisa bizarra aconteça, por exemplo precisar comprovar uma renda ou um gasto de 8 anos atrás. No meu caso, guardei diplomas, históricos escolares, cópias de documentos oficiais e uns papéis do seguro.

Dica: uma boa pedida pra parar de gerar papelada nova é “receber” e pagar suas contas online.

Material escolar ou de faculdade

Você NUNCA vai usar de novo. É isso, não tem mistério.

Antes de ir pra China, eu tinha feito uma “limpeza” dessas no meu quarto, mas por ter recém saído da faculdade, achei que usaria alguns dos meus materiais escolares de novo no futuro. 3 anos após a formatura, surpresa: não usei NADA!

Você provavelmente nem lembra de alguns dos assuntos ou matérias que teve no semestre passado. Se você lembrar e se for precisar de conhecimento nessas áreas no futuro, as chances são grandes de que você vai pesquisar no Google, ou achar aulas completaças no YouTube, ao invés de consultar aqueles seu caderno horrível com garranchos indecifráveis. Textos maravilhosos sobre filosofia ou sobre o mercado de opções também não serão usados. Eu achava que poderia ajudar novos alunos da faculdade entregando provas que fiz no passado – assim os novatos poderiam estudá-las e saberiam o que esperar do teste. Mas quando você sai da faculdade ou da escola, a última coisa que vai fazer é voltar pra lá. No meu caso, sequer tenho contato com alguém que ainda está estudando. Por isso, faça um favor para si mesmo e jogue todo esse material fora – ou separe alguns para servirem de papel rascunho.

DVDs

Sabe que o meu notebook sequer tem leitor de CD ou DVD? Talvez o seu também não tenha. O meu não tem e nunca fez falta. CDs e DVDs já estão na mesma categoria de discos de vinil: são itens de coleção. Se você gosta de colecionar, beleza. Mas se você tem só alguns perdidos, venda ou jogue fora. Num futuro muito próximo, leitores de CD serão raridade, seja no computador ou em aparelhos de som. Acredite, você não vai ouvir aquele CD velho do Raimundos. Netflix, Spotify, Steam, Origin e até downloads piratas (não diz pra ninguém que falei isso): há muitas opções virtuais que não ocupam espaço físico e tornam o conteúdo mais acessível.

Fotos

Fotos tocam o coração, então o assunto fica mais delicado. Não vou sugerir que você jogue fora porque fotos são quase imortais. Daqui a 100 anos o seu tataraneto pode olhar para elas e saber como você se parecia. Duvido que daqui a 100 anos as suas fotos digitalizadas não tenham se perdido dentro de um HD corrompido ou em uma tecnologia ultrapassada. Por isso, mantenha as fotos. São partes importantes da sua história.

Mas com um detalhe: fotos geralmente ficam guardadas em caixas empoeiradas que não só dão trabalho como sujam a casa e ativam a sua rinite na hora de dar aquela consultada no seu passado. Por isso, minha sugestão é: separe as que mais tem valor para você e escaneie. Além de servir como um backup, elas ficam muito mais acessíveis a qualquer momento. Aproveite que elas estarão a um clique de distância e manda umas fotos antigaças para o seu pai ou para aquele seu amigo de infância.

Livros

Nem todo mundo concorda com o que penso sobre livros físicos. Nesse post aqui comentei os motivos pelos quais você deveria vender seus livros e comprar um Kindle. Imagina colocar o peso e espaço físico de uns 200 livros em um aparelho eletrônico do tamanho da palma da sua mão e que pesa 200g. Parece bom, né?

O que sobrou?

Minha caixa nem chegou a ficar cheia. Sobraram nela poucas coisas. Alguns documentos, alguns poucos livros que recebi de presente e não quis vender. Sobraram fotos, mesmo as que já digitalizei. Sobraram algumas lembrancinhas que costumo trazer das minhas viagens e uma coleção de cartões telefônicos que já está na terceira geração da família (será que tem valor ainda?).Se tá na caixa, basicamente tem importância como documento ou tem valor sentimental. O resto eu uso se for útil, me livro se não for.

Pra não dizer que não falei das roupas

Roupas são volumosas e possuem muitas variações. Você provavelmente tem várias opções pra usar no verão, uns casacões que só saem do armário no inverno, umas blusas de manga comprida pra usar em meia estação, roupa de praia pra usar na praia, fantasia pra usar no halloween e por aí vai. Se você mora em um mesmo lugar faz tempo, é normal ter bastante coisa. Mas não pense que é tudo necessário.

Se tiver tomando muito espaço, doe as coisas que dificilmente terão valor se vendidas. Não é querer puxar aqueles papos tipo “tá jogando comida fora, sabia que tem gente morrendo de fome na África?!”, mas tem realmente muita gente que poderia estar aproveitando essas coisas que estão aí só pegando mofo no seu armário. Doe, faz bem.

E as roupas que estiverem em ótimo estado, que forem bonitonas e tal, tente vender. Tem uns brechós que pagam pouco, mas pagam. Além de receber uns trocados, você ainda ajuda a outra pessoa que vai comprar uma roupa bacana pagando menos do que numa loja.

Outra opção é vender pela internet. A patroa anunciou algumas peças em comunidades do Facebook mesmo e conseguiu tirar um trocado. E mais: conseguiu pegar algumas camisas que não usava nunca e trocar por uma bota que ela tava procurando faz tempo. Se for parar pra pensar, é praticamente como se ela tivesse ganhado a bota – e pra outra pessoa é praticamente como se ela tivesse ganhado algumas camisas. O famoso ganha-ganha!

Não reabastecer a casa com coisas inúteis

Pode parecer óbvio, mas não adianta se livrar de coisas velhas e inúteis se você tem o hábito de obter mais delas. Se você é consumista, saiba que além de gastar dinheiro à toa você só vai estar gerando mais trabalho para o seu eu futuro, que terá que lidar com as suas tralhas daqui a alguns anos quando elas não tiverem mais valor algum.

Ao invés de comprar tudo que você ache legal, tente fazer algumas daquelas perguntas que citei antes. Vai ter utilidade real? Posso vender depois e recuperar um pouco do dinheiro? Estou comprando por impulso? Já tenho algo com utilidade semelhante? Tente focalizar as suas compras para coisas realmente úteis, que você realmente esteja precisando ou que vá usar muito. Livre-se daquelas compras estilo “vou usar quando tiver uma formatura” ou “quando eu viajar para o caribe esse pé de pato cairá como uma luva”.

Pena de jogar coisas fora

Meu maior problema é com uma categoria de coisas mais ou menos assim: eu não uso nem usarei nunca, mas está em bom estado e tem um valor pequeno, por isso dificilmente conseguirei vender, mas ao mesmo tempo poderia ser útil para alguém e portanto não quero jogar fora. Deixa eu dar um exemplo: meu mouse funciona sem mousepad. Mas eu tenho um mousepad em bom estado e de boa qualidade. Eu não queria jogar fora, sei que alguém poderia usar. Mas fazer o quê? Ou jogo fora e não olho pra trás, ou tento doar através de alguma comunidade do Facebook, ou pela OLX. Não sei ainda o que fazer.

Qual será o destino do meu mousepad?

Seja nas mãos de outra pessoa ou no lixo, uma coisa eu aprendi: livre-se das coisas inúteis e não olhe pra trás.

Fonte: Doisbits

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